selvagem

enquanto as águas do tempo

cozinham todas as coisas

eu sigo em paz

.

enquanto as marés

trazem e levam

os dias e as noites

me mantenho forte

.

enquanto a águia sobrevoar meus céus

vou decifrando

os mistérios de meu caminhar

.

enquanto a luz

me preencher

vou seguindo

amando o vento

.

enquanto o soar dos tambores

e a chuva dos maracás

acelerarem meu coração

me deixo emocionar

.

espalho meus olhos

nos rios

na sabedoria das árvores

leio todos os pássaros

encantada

tocada pela grandeza

que Sua música abriu em mim

inca

são quase cinco ciclos

treze luas quase cheias

brindando grandes penas

entre os meus cabelos

num movimento lento

.

a fumaça densa quase estática

suspensa entre paredes

se mescla aos lobos que correm em mim

as estrelas que sinto confundem meus céus

e provocam  uivos que cortam a noite

.

quero deitar na grama  sentir a chuva

esquecer o frio as intempéries

sonhar flauta  beijar flor

saltar das nuvens

me dissipar

.

comemorar a estranheza

de viver sobre a Vida

e repensar por que caí

onde ainda não pude

entender porque