colapsando

somos experimentos emocionais

joguetes das parcas possibilidades

envenenados com doses cavalares

de transgênicos transgêneros

politicagem violência agrotoxidade

e variadas desordens

o que somos?

vítimas? vilões?

cavadores de nossas próprias covas.

.

somos caldeirões

misturando complexas matérias primas

ignorantes

matando morrendo por quase tudo

transitando em desertos sem fim

entre flores e ervas daninhas

microondas

redes além céu além mar

.

somos infestações

de variáveis e expectativas

vivendo por um triz

um tiro

ou invasão de qualquer ordem

paralisados de dor de medo de ansiedade

e sucessivas escolhas equivocadas

.

somos língua sexo vísceras

sabemos de muito pouco quase nada

fabricantes diários de merda

e outras tantas secreções e decrepitudes

não podemos com a TPM

com os hormônios com o estresse

queimamos nossa própria casa

sofremos todo tipo de incoerência

e ainda assim

insistimos em continuar fazendo

pessoas por diversão.

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urgências

talvez seja urgente

deixar

chorar

encontrar

um porto

um peito

dialogar com ausências

.

talvez seja inevitável

a queda

o corte

tréguas

situações inaugurais

.

talvez

a opção desejada

simplesmente

não exista

meteoro lógica

by Jacek Yerka

olho pro céu

arrisco previsões

e resmungos poéticos

sussurrados entre dentes

pra ninguém

além

de você

ouvir

.

abro a casa aumento a música

visto pele de musa

sou Morgana

mística   

encantada

ou apenas a namorada

a mortal que o cérbero ainda não despedaçou

.

Lily vestida para  Mayakovsky

Dulcineia del Quixote

enfrentando moinhos séculos 

coisas de amor

e alguns outros demônios

.

sou brisa terna que te acompanha

que do seu canto faz dança

buracos no tempo

interferindo na paisagem

com trevos e lençóis de flor

.

e nesse cenário iconoclasta

troco as cortinas por delicada fumaça

e trago

no cheiro do incenso

sorrisos

vaga lumes

doses homeopáticas de luz