estranhamente

vivo entre estranhos

escorregando na sorte

no amor

tentando escapar

da realidade

tapando os ouvidos

encenando novos roteiros

ora drama ora farsa

fugindo dos noticiários

dos assaltos das reprises

do preço da gasolina

.

de ponta cabeça me sinto melhor

o sangue desce

o pensamento em múltiplos orgasmos

me deixa

me deita

na rede…

.

e pendurada no mais alto cume

finco-me

a conversar com estrelas

in_coerente

queria entender as linhas

manipuladas pelos cordéis do tempo

unindo pessoas estórias

marionetes amarradas no ar

.

crianças balançando botas

sentadas em pontes precipícios

solitários prantos atrás da porta

telhados cúmplices esconderijos

.

seres sensíveis incompreendidos

crescendo em casas abandonadas

tentando encaixar categorias

padrões em moldes vazados

.

vidas correndo em hipérboles

redes tecidas além mar

intersecções poetizadas em letras

trilhas castanhas    sonhos em par

.

entre nós e décadas

futuro do presente  pretérito imperfeito

irresistíveis apelos comovem

estrelas invisíveis  num breve olhar