aplascentada

acordei com a cabeça doendo

sentindo o peso da madrugada rastejante

sono rasteiro  inquieto

o cheiro da morte rondando tudo

a carne fria

os pés ainda manchados de sangue

a anemia aguda

a boca branca

o sangue em bolsas

descendo em gotas

pintando de bordô os lados de dentro

as rezas escorrendo pelas paredes

o terror impregnado em cada hora

a arrastar o tempo

dor em toda parte

inchaço palidez

algo descolou

.

tudo aqui é tristeza  pavor

olhos vermelhos    chorosos

o medo na espreita a todo instante

enquanto enfeites de porta povoam o corredor estéril

com nomes de crianças

que chegaram em paz

.

foi tudo assim, rápido demais

por um triz

por muito pouco

nossos nomes estariam presos para sempre

em pedras

fincadas no chão

 

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colapsando

somos experimentos emocionais

joguetes das parcas possibilidades

envenenados com doses cavalares

de transgênicos transgêneros

politicagem violência agrotoxidade

e variadas desordens

o que somos?

vítimas? vilões?

cavadores de nossas próprias covas.

.

somos caldeirões

misturando complexas matérias primas

ignorantes

matando morrendo por quase tudo

transitando em desertos sem fim

entre flores e ervas daninhas

microondas

redes além céu além mar

.

somos infestações

de variáveis e expectativas

vivendo por um triz

um tiro

ou invasão de qualquer ordem

paralisados de dor de medo de ansiedade

e sucessivas escolhas equivocadas

.

somos língua sexo vísceras

sabemos de muito pouco quase nada

fabricantes diários de merda

e outras tantas secreções e decrepitudes

não podemos com a TPM

com os hormônios com o estresse

queimamos nossa própria casa

sofremos todo tipo de incoerência

e ainda assim

insistimos em continuar fazendo

pessoas por diversão.

açoite

E agora
O que faço com essa dor?
Essa insistente companhia
Que escorre
Pelas minhas unhas
Pela linha d’água
De minha cara
Atônita
.
Sim, bem sei!
Tudo passa!
Mas até lá
O que faço?
Devo derreter ao sol do meio dia
Ou abrir sulcos
Em minha própria superfície?
O que devo fazer
Se com o tempo
Até os remédios
Perdem efeito?
.
Como não liquescer
Se não encontro
amparo respaldo abrigo
Nem um colo possível
Que suporte esse alguém doído
Que temporariamente me habita
.
Quem dera atravessar
Esse Eu deserto
A largos passos
Sem recorrer a mais dor
Ou quaisquer outros flagelos
Quem dera
Precisos ajustes
No meu coração
Na minha medicação
Ou ainda
Abraços genuínos
Espelhos amigos
Um sono tranquilo
Ou até mesmo
Uma armadura
Pequenos vislumbres de paz

quase

by in-dissoluvel (tumblr)

as coisas ficaram por fazer

vassoura e poeira pelos cantos

a foto da mais linda noiva

povoa o quarto

agora

vazio

.

as importâncias

subitamente jogadas fora

e o Amor? coitado!

atordoado por palavras insanas

partiu veloz

despedaçado

foi embora

desfazendo certezas recentes

.

com seu pedido de perdão ironizado

o peito triste,

involuntário

não sabe mais o que fazer

.

a acusação grave

alterou a forma de dois

que quase

eram UM

explodindo

by in-dissoluvel (tumblr)

escrevendo na dor na penumbra

até esvaziar lembranças ou a garrafa

recordações me espreitando sob os ombros

me levam a preencher linhas

e falar daquilo que bem sei

botar pra fora mágoas coisas guardadas

suavizar o peito acender luzes

que me protejam do frio da neblina

.

respiro devagar mas não posso evitar

a escuridão o suor o cheiro do álcool

os poros os pelos a boca…

.

quero derreter neste momento

me agarrar em algo em alguém

talvez uma armadura inviolável

que me proteja que me salve

mas não…

.

o quarto é sujo tudo fede

a cama está fria a porta trancada

não existe saída

(existiu algum dia?)

o corpo sobre mim dói fere pesa

rasga sonhos me exaure

.

aguentei até quase explodir

até encontrar anestesia

e formas de sobreviver

acordada num pesadelo

.

esquecimento é terra distante árida

brisas tristes me fragilizam

difícil reconstrução

9

o caminho de volta é difícil

penoso cheio de bifurcações

ébrios encantamentos

pensamentos escuros secretos

promessas de alívio imediato

entorpecimento confortável

enganadora embriaguez

amizades tortas exclusivistas

cobranças prestes a acontecer

.

o caminho de volta é cheio de fumaça

sopros sugestões dias vazios

seres invasivos disfarces

observações irrelevantes

confusões em tua sensibilidade

alguém que te espreita em paciente tocaia

olhares que te tomam

mãos que te anseiam

uma mente doente a te obsidiar