açoite

E agora
O que faço com essa dor?
Essa insistente companhia
Que escorre
Pelas minhas unhas
Pela linha d’água
De minha cara
Atônita
.
Sim, bem sei!
Tudo passa!
Mas até lá
O que faço?
Devo derreter ao sol do meio dia
Ou abrir sulcos
Em minha própria superfície?
O que devo fazer
Se com o tempo
Até os remédios
Perdem efeito?
.
Como não liquescer
Se não encontro
amparo respaldo abrigo
Nem um colo possível
Que suporte esse alguém doído
Que temporariamente me habita
.
Quem dera atravessar
Esse Eu deserto
A largos passos
Sem recorrer a mais dor
Ou quaisquer outros flagelos
Quem dera
Precisos ajustes
No meu coração
Na minha medicação
Ou ainda
Abraços genuínos
Espelhos amigos
Um sono tranquilo
Ou até mesmo
Uma armadura
Pequenos vislumbres de paz

quase

by in-dissoluvel (tumblr)

as coisas ficaram por fazer

vassoura e poeira pelos cantos

a foto da mais linda noiva

povoa o quarto

agora

vazio

.

as importâncias

subitamente jogadas fora

e o Amor? coitado!

atordoado por palavras insanas

partiu veloz

despedaçado

foi embora

desfazendo certezas recentes

.

com seu pedido de perdão ironizado

o peito triste,

involuntário

não sabe mais o que fazer

.

a acusação grave

alterou a forma de dois

que quase

eram UM

explodindo

by in-dissoluvel (tumblr)

escrevendo na dor na penumbra

até esvaziar lembranças ou a garrafa

recordações me espreitando sob os ombros

me levam a preencher linhas

e falar daquilo que bem sei

botar pra fora mágoas coisas guardadas

suavizar o peito acender luzes

que me protejam do frio da neblina

.

respiro devagar mas não posso evitar

a escuridão o suor o cheiro do álcool

os poros os pelos a boca…

.

quero derreter neste momento

me agarrar em algo em alguém

talvez uma armadura inviolável

que me proteja que me salve

mas não…

.

o quarto é sujo tudo fede

a cama está fria a porta trancada

não existe saída

(existiu algum dia?)

o corpo sobre mim dói fere pesa

rasga sonhos me exaure

.

aguentei até quase explodir

até encontrar anestesia

e formas de sobreviver

acordada num pesadelo

.

esquecimento é terra distante árida

brisas tristes me fragilizam

difícil reconstrução

9

o caminho de volta é difícil

penoso cheio de bifurcações

ébrios encantamentos

pensamentos escuros secretos

promessas de alívio imediato

entorpecimento confortável

enganadora embriaguez

amizades tortas exclusivistas

cobranças prestes a acontecer

.

o caminho de volta é cheio de fumaça

sopros sugestões dias vazios

seres invasivos disfarces

observações irrelevantes

confusões em tua sensibilidade

alguém que te espreita em paciente tocaia

olhares que te tomam

mãos que te anseiam

uma mente doente a te obsidiar

escuro

image by black leather (tumblr)

e ainda existem aquelas noites    tormentas

lembranças perpendiculares  sob meia coberta

desilusões sonhos perdidos

e um mar de recordações que insiste em voltar

.

marcas cravadas a ferro em brasa

num peito inundado de porquês

enquanto algo incita calmaria

vozes de caverna dizendo que  passou

.

mas as horas ficam tão lentas de repente

e águas revoltas transbordam espaços contidos

desejos de solidão trazem de volta

a antiga vontade de partir

.

e a busca por coerência valores

por vezes desaba em meu colo

e abre os braços me convidando

para algo quente no meio da noite

.

dividida entre a dor e o ser

duras conclusões patética vida

incongruentes alegorias

tentativas de compreender

.

existe algo maior?

talvez asas, olhos, abraços quem sabe

um sossego prum coração cansado

um sopro de permanência…paz

distante

image by Penny Lane

não sei bem a quem me referir reportar

quem ouviria, além de mim mesma e os objetos a minha volta?

quem entenderia que preciso de artifícios

para que passe o tempo a vida?

que indicador aponta até onde vai a realidade?

que parâmetro garante minha sanidade?

 

não sei bem lidar com pessoas palavras

não posso ser percebida de longe

e longe é o meu lugar preferido

é de lá, de longe, que não se percebe a dor

o meu mais alto grito é silêncio…