cimo

como seda

tu

aceso

e o teu cheiro

adentrando narinas

e meu quase cume

.

suave   único

entre

entranhas

torpor de carne     vísceras

.

sendo amada

pertenço-te

ainda que a ermo

acocorada

uive solitariamente

pro nada

.

canto meu trino

sinto-te único

pousado entre meus dedos

.

e se tua matéria

em mim repousa

amo-te

esquisita

monstro

incompreensível

infinitamente eu.

namorada

estou aqui te adorando de longe

enredada em silêncios

dando-te chances

redenção

por tudo

que és

fostes

pelas bocas que beijastes

por cada uma de tuas singelas lembranças

.

estou aqui te adorando por dentro

me enredando em teus acordes

acordando em nós

pares de sorrisos estancados em fotografias

presos em cantares de amor

de predileção

.

eu  rosa

você

jardim de uma só flor

alada

ouvi tuas asas batendo muito perto

senti intensamente o vento de seu farfalhar

abri os olhos e as vi. Eram inefáveis, grandes

manchadas de furta-cor

.

ouvi-as sacudindo a atmosfera

e na penumbra de meu abajur

belas, relanceavam

.

ouvi tuas asas entre os sons lá de fora

e as vozes que falam em mim

ouvi choro e riso, crianças e pássaros

.

ouvi-as alvoroçadas, intenso temporal

e entre elas, sonâmbula, acordei.

gaza

a paz nada pode fazer por nós

simples transeuntes aleatórios

pré fantasmas

aprisionados em muros

em potes de remédio

disputando territórios que a ninguém pertencem

serpentes ilusórias

rastejando em busca dos próprios rabos

.

acabou o sono

acabou o sonho

veja! tudo não passa de montagem

construções encomendadas

pra compor a fita

de toda essa estranheza sem sentido

fatos reunidos num imenso livro

tratado de incoerência

.

nossas mentes vagam

como meninos sozinhos debaixo de chuva

seres desolados

fomes que não tem fim

cortinas pesadas

veludo caro

comprado com lavagens genocidas

liquescendo

salva-me!

entre teus dentes pintados de tempo

taciturno. Salva-me, agora que estou nua

agora! antes que se faça noite

antes da morte

da morte do amor

antes da interrupção do fluxo de mim

salva-me!

dá-me a mão, respira-me!

enquanto o vento ainda sopra

a favor

.

mundo de esperas, este mundo

mundo das fomes, da solidão

Parcas em pleno ofício

tessitura e corte de incontáveis cordões…

solta tua linha! voa! abandona-te em mim

enquanto a vida nos arremessa

em seus ciclos

.

levanta-te! ventila os dias

abre-te para os meus gritos

antes que o fim me alcance

abre-te! enquanto eu plena e azulada

escorro entre os dedos

de teus pés e mãos

 

desvelo

eu árvore

alta e dura

composição menina de desamor e incompletudes

a vertigem

a asa

o grito

.

você arte

incontido e nítido

sorriso menino de luto e esperas

o labirinto

o caos

o tudo

.

tudo em desordem

caixas fechadas por dentro

almas em ponto morto

.

eu e meus eruditos significados

um desentranhar de palavras

você paciência de entalhe

pondo ordem no impossível

.

escultor de ilusões

observo-te vez por outra

quase cética, mas domada

não obstante te reflito

em meu hemograma

em minha cara

estupefacta e linda

no elevador das caprichosas interseções