lilith

escancaradamente

me abro

me lambo

me espreguiço

me esfrego

me entrego

me passo a mão

e vejo

cores

cordões dourados

em meus mamilos

cordas

que me balançam nua

embaixo da plena lua

na ponta da pirâmide

eu flor

expandindo-me em fluxos

de sangue

em vértices alheios

meninos estúpidos

indiferentes

a minha divindade

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lua negra

e como uma deusa suja

preciso apenas

um fragmento

pra me reconstituir

cintilar

ouvir o grito das pedras

o choro das águas

.

a lua

guardiã das coisas

sabe

que a noite

ilumina

grutas

desfiladeiros

e sincroniza os ritmos

de minha solidão

.

e que até mesmo um incêndio

queimando árvore a árvore

pode ser apagado

por  uma brisa

de hálito doce

e cor de ébano

repleta de elementos

delicados

úmidos

e mágicos