desvelo

eu árvore

alta e dura

composição menina de desamor e incompletudes

a vertigem

a asa

o grito

.

você arte

incontido e nítido

sorriso menino de luto e esperas

o labirinto

o caos

o tudo

.

tudo em desordem

caixas fechadas por dentro

almas em ponto morto

.

eu e meus eruditos significados

um desentranhar de palavras

você paciência de entalhe

pondo ordem no impossível

.

escultor de ilusões

observo-te vez por outra

quase cética, mas domada

não obstante te reflito

em meu hemograma

em minha cara

estupefacta e linda

no elevador das caprichosas interseções

 

cura

você nem sabe

mas estive te olhando a dormir

medindo seus pedaços

soprando preces em seu ouvido

.

entrei em teu subterrâneo

mergulhei de olhos abertos

em tua imensidão

descobri vales campinas

labirintos vivos

furta-cor

.

joguei feitiços sobre teus pés

beijei feridas ainda abertas

vi arquétipos em tuas costas

invoquei curandeiros pajés

seres de teu inconsciente

.

você moveu algo

por baixo de meu peito emplumado

soltei gritos uivos desejos

e transformei lágrimas

em água benta

selvagem

enquanto as águas do tempo

cozinham todas as coisas

eu sigo em paz

.

enquanto as marés

trazem e levam

os dias e as noites

me mantenho forte

.

enquanto a águia sobrevoar meus céus

vou decifrando

os mistérios de meu caminhar

.

enquanto a luz

me preencher

vou seguindo

amando o vento

.

enquanto o soar dos tambores

e a chuva dos maracás

acelerarem meu coração

me deixo emocionar

.

espalho meus olhos

nos rios

na sabedoria das árvores

leio todos os pássaros

encantada

tocada pela grandeza

que Sua música abriu em mim