peito aberto

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para ti quero proteção extrema

uma armadura de algodão doce

palavras pesadas pensadas

líquidas azuis transparentes

um mergulho quase infantil

água morna terna levemente salgada

.

não arrisco dizer a tal frase

acionar tempestades intempéries

mas me deixo cair em teu peito

sentir canções de ninar

mãos macias em minhas costas

suavidade que me embala

.

em noites que lágrimas me cansam os ombros

pingos de recordações displicentes

indulgência arrependimento

olhos que não me saem da mente

aceito teu colo cuidado

a distância é só um ponto de vista

impressão

quero te ler aleatoriamente

abrir-te em verso ritmado

imaginar caminhos percorridos

ridos

contidos

conjecturas  colocações

silêncios em páginas ímpares

peito  impresso  em tinta preta

veias prensadas em baixo relevo

.

te procuro no não dito

nas obviedades em tom amarelado

na dedicatória atrás da orelha

na cabeceira

ao alcance do tato

às vésperas do toque

balance

e enquanto escrevo observo a vida passar

pessoas carros por abastecer

listas de tarefas que se renovam a cada dia

corações batendo sorrisos em flash

.

risinhos de canto de boca

vozes de partes de mim

sabe a última porção das coisas que dizes?

o restinho das frases palavras?

.

elas ficam

não sei bem onde se escondem

brincam comigo nos dias mais sérios densos

.

ah! que falta me fazes

teus braços são lugares

onde quase sempre estou desejando chegar