meubem

porque há um porto qualquer nesses dias

um pier

um pavio

que me ascende

me incandesce

.

porque o que me causava medo

já virou mar

amor sem dor

e um halo furta cor

me faz transcender

como loba

de olhos abertos a sorrir a noite

.

porque confronto os meus desejos de fêmea

mulher que muito ama

menina e seus brinquedos

com as doses de céu que me preenchem

e chego em algo

que há no fundo

de seus olhos

hausto

andei me perdendo por aí

em poços sem fim

acordando no susto

deslumbrando-me com novidades

sorvendo impunemente

sopros  embriagantes

me encantando

com quase tudo ao redor

podando incongruências

contactando

o mundo das não palavras

me entregando

à poesia

à dança de todas as coisas

tocando suave

o meu damaru

de olhos abertos

em pleno escuro

observando

A Vida e a Morte

diariamente

testando medos    sensações

ou alguma temporária incapacidade

um contínuo engolir de tempestades

e tantas outras coisas

que não se pode enclausurar

em meras expressões

.

agora vivo armando minha rede

em céus cheios de constelações

tentando entender

a sapiência do Todo

dando à palavra

o estatuto de obra de Arte

atravessando desertos    oasis

e dividindo meu amor com o mundo

namorada

estou aqui te adorando de longe

enredada em silêncios

dando-te chances

redenção

por tudo

que és

fostes

pelas bocas que beijastes

por cada uma de tuas singelas lembranças

.

estou aqui te adorando por dentro

me enredando em teus acordes

acordando em nós

pares de sorrisos estancados em fotografias

presos em cantares de amor

de predileção

.

eu  rosa

você

jardim de uma só flor

liquescendo

salva-me!

entre teus dentes pintados de tempo

taciturno. Salva-me, agora que estou nua

agora! antes que se faça noite

antes da morte

da morte do amor

antes da interrupção do fluxo de mim

salva-me!

dá-me a mão, respira-me!

enquanto o vento ainda sopra

a favor

.

mundo de esperas, este mundo

mundo das fomes, da solidão

Parcas em pleno ofício

tessitura e corte de incontáveis cordões…

solta tua linha! voa! abandona-te em mim

enquanto a vida nos arremessa

em seus ciclos

.

levanta-te! ventila os dias

abre-te para os meus gritos

antes que o fim me alcance

abre-te! enquanto eu plena e azulada

escorro entre os dedos

de teus pés e mãos