presa

não terminou.

se o tivesse feito     talvez     a casa caísse

fosse

tudo pelos ares

sendo assim

arrumou um jeito de manter

os sapatos de bico fino

a garganta desinflamada

e as mágoas acumuladas anos a fio

.

continuou

fez as unhas    almoçou com a família

treinou as palavras   conteve os gestos

na terapia mentiu como nunca

manipulou toda emoção

e fez pose

para o instagram

 

 

 

simplesmente palavras

by virginia mori

seu toque arrogante

defesa que contra ataca

confunde o árbitro

causa sensação de falta

de jogador fora de esquadro

que profere erros

diferenciações

antagonias

.

corro veloz

mas quase nunca consigo

saltar os fatos    as frustrações

você sempre me vence

e cruza com marcas de recorde

a linha de minha tolerância

.

e eu que deveria sorrir

me torno apenas alguém

aquém

longe

sentada

na reserva

ou na última fila

dessa estranha arquibancada

observando com ares de moça cética

a sua cínica insensatez…

 

13 de junho de 2006

by in-dissoluvel (tumblr)

by Eddy Polo

 

aos pedaços

me ultrapasso

meu sorriso quebrado

meu andar arrastado

e tantos desassossegos

não me confortam

quero mais

preciso de mais

mais amores partidos

incompletos

repletos de pedaços

faltando

inexplicações

arrancões constantes

uma endemia jorrativa

de fracassos

manga de vento

by gabee brandão

ando tão cansada

dessa gaiola de pedra

seu canto ininterrupto

me cansa a alma

.

penso em não mexer

um músculo sequer

entrar numa dessas paredes e ficar

estagnar

ensurdecer

.

me livrar

desse alerta constante

que tudo contesta

todo o tempo

ou apenas encontrar uma fresta

e me perder entre tijolos e cimento

.

quero ajuda!

pra sair desse sonho ruim

que sempre volta

ao lugar onde estão todas as coisas

que perdi

aos abraços que não tive

quando invisível

aos sonhos

não realizados

.

triste

grito

mas nenhum som se propaga

continuo construindo

biruta

a espera do vento

ditador de direções

salvo

by Jacek Yerka

os salva-vidas estão todos ao telefone

o mar pra lá de azul disfarça bem

as sobrecargas   o sal

o afogado

já faz parte da paisagem

o tempo se apressou em tirar dele

a roupa de mergulho

e agora?

o que fazer com as horas

que insistem em viver?

o relógio caro comprado a vista

é pontual

impermeável

.

agora entendo quando me dizem que tudo é uma coisa só

que todos são

um

cardume se aproxima

sou peixe