amargar

Estive perdida num espelho quebrado
Percorri muitos caminhos
Naveguei por aí
Tentando voltar
Perdi a capacidade de ver a mim mesma
Fui condenada a ver minha casa de longe
A longe ter os que mais amava
Recorri a tudo
Auto mutilações auto destruição
Vitimização
Espalhei veneno e males mil
Caí muitas vezes no mesmo poço
Implorei por colo apoio amparo
Me despetalei fiquei nua
Andei sozinha por estradas perigosas
Amarguei escondida em cortiços perdidos
Perdi minha poesia minha menina meu coração
Chorei tudo que pude
Até que finalmente

Sequei.

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caos

Ando meio mexida por dentro
Tentando não pensar nos fatos
Tenho me perguntado quantas décadas são necessárias para me acostumar com as coisas da Vida…

Me pergunto
pelo que sinto
Ou sentia
Já não sei bem
Parece que algo se perdeu nas decepções diárias
Ou
será apenas o meu idealismo desenfreado a jogar desejos – modelos perfeitos – em minha cara?

Me pergunto
sobre as dependências
As azedas conveniências
Me pergunto sobre vícios destemidos
Que TUDO derrubam
Enquanto a convivência me observa
Com ares de moça séria e me dá rasteiras semanais

Me pergunto
Que vida incoerente é essa?
Não da pra trocar ou substituir por outra?
E aquela dos álbuns de fotografia com todos presentes, felizes, não dá pra ser?

Me pergunto
Como pode
Uma minoria estrangular uma nação?
Se Trocar floresta por cifrão ?
Tirar o T da alimentação ?
Eleger ignorantes pra direção ?
Meu Deus
De que vale a constituição ?
Se não há resguardo asilo ou saída para tantos

Me pergunto
Vou ou fico?
Sim ou não?
O que é que finalmente
Vale A PENA?
Será que tudo precisa mesmo de lógica e consideração?

E as respostas? Onde estão?
No peito? Nas gavetas? Nos espaços em branco?
Nos desentendidos? Nos não ditos?
Na violência entranhada nas dobras do dia?
Nos editoriais? Nas mídias sociais?
Já sei já sei
Talvez nos livros de filosofia
Nas bulas
Ou nos extensos manuais da ABNT

O que me consola
É que
Qualquer dia
De qualquer forma
Será Futuro
E estaremos velhos
Eu
Os mal entendidos
E os desapontares.

ano novo

É tempo
De arrancar erva daninha
De limpar o terreiro
De preservar as sombras            as árvores
Mesmo as mortas

.
É tempo
De silenciar
De cuidar dos pés
De dividir as frutas
Com amigos       insetos       pássaros
.
É tempo
De varrer   limpar   tirar
Toda merda do caminho
Todo caco pedra chatice
Toda roupa paralisada no armário
.
É tempo de respirar
De espreguiçar intensamente
De descartar o que não serve
De limpar a paisagem
De aguar as plantas
.
É tempo de fazer Planos       Promessas
Traçar metas
Escolher caminhos
Aproveitar o dia como um mergulho
É tempo de finalizar
.
Feliz ano novo