apaixonamento

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há corações criança em meu peito

vibrando dançando estendendo os braços

pedindo colo ombros flores

exalando cores bolinhas de sabão

.

arco-íris entre  fios de cabelo

auroras que me banham embalam

sorrisos incessantes incansáveis

em vontades brincantes se abrem

.

jarrinhas com flores delicadas

nuvens de águas voantes

asas nas costas   nos pés

óculos com lentes cor de rosa

.

a cabeça é só mar

areia molhada praia tranquila

em copas verdes ao vento

me entrego me abandono

busca

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a velha casa estava lá

os gritos ainda presos nas paredes

o choro qual poeira cobrindo os móveis

.

voltei em busca de alguém que fui

em discos livros poesias

cadernos  escritos de outrora

.

acho que não tinha direito a volta…

pois encontrei apenas o cômodo vazio

eu e minha cara clara   crianças no espelho

.

porta-retratos eram apenas porta

prateleiras em forçado ócio

o medo me acompanhando em silêncio

o que era mesmo que eu era?

descartada? descartável?

talvez apenas um par de pernas

sem paz sem par

cinzas

explodindo

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escrevendo na dor na penumbra

até esvaziar lembranças ou a garrafa

recordações me espreitando sob os ombros

me levam a preencher linhas

e falar daquilo que bem sei

botar pra fora mágoas coisas guardadas

suavizar o peito acender luzes

que me protejam do frio da neblina

.

respiro devagar mas não posso evitar

a escuridão o suor o cheiro do álcool

os poros os pelos a boca…

.

quero derreter neste momento

me agarrar em algo em alguém

talvez uma armadura inviolável

que me proteja que me salve

mas não…

.

o quarto é sujo tudo fede

a cama está fria a porta trancada

não existe saída

(existiu algum dia?)

o corpo sobre mim dói fere pesa

rasga sonhos me exaure

.

aguentei até quase explodir

até encontrar anestesia

e formas de sobreviver

acordada num pesadelo

.

esquecimento é terra distante árida

brisas tristes me fragilizam

difícil reconstrução

arrumação

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ontem entrei em  lugares

onde há muito não entrava

desfiz caixas

fiz carinho em  fotografias

encontrei lembranças

chorei abraçada ao caderno da infância

percorri caminhos

campos verdes bicicletas

bexigas e bolos de aniversário

tentei ver o indireto o invisível

acessando pretéritos

passado longínquo

cabelos dourados bochechas rosadas

saudades momentos capturados

um espiral quase infinito

falsa eterna dualidade

entre lembrar e esquecer

catarse

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agora acordo no meio da noite

peito apertado inquietude nas pernas

não sei se é porque gosto do tom da madrugada

não sei se é por costume ou ansiedade

.

queria levantar arrumar todos os armários

tirar a poeira recolocar as coisas

abrir porões acender as luzes

lustrar os móveis me maquiar

.

entendo àqueles que afundam

em alcool remédios vícios

que sucumbem à falta de vida

que se jogam que não podem se conter

.

é que o espaço é grande demais

composto de uma vacuidade tão fria

desconfortável desconfortantes

noites que nunca amanhecem

.

o que fazer com um barco à deriva?

com as portas frágeis de um quarto escuro?

além de sentar na cama e sentir a penumbra

em busca de uma chama que ilumine as sombras…

ansiedade

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acordei cheia de poemas tristes

lembranças pinçadas  inconscientes

pesadelo fresco recém acontecido

torpor matinal  olhos cem quilos cada

.

garganta seca sensações goela abaixo

tempestades internas avalanches

pedras engasgadas na ampulheta

me quebram    as unhas o cerne o tino

.

horas cansativas insistentes

icebergs alvos gélidos

prendem-me os pés entre rochas

algas dejetos esfíncteres

.

talvez seja preciso nascer de novo

paralisar ponteiros cortar  impulsos quem sabe

ingerir conselhos cápsulas ou doses líquidas

e trocar os óculos por máscaras de dormir