inca

são quase cinco ciclos

treze luas quase cheias

brindando grandes penas

entre os meus cabelos

num movimento lento

.

a fumaça densa quase estática

suspensa entre paredes

se mescla aos lobos que correm em mim

as estrelas que sinto confundem meus céus

e provocam  uivos que cortam a noite

.

quero deitar na grama  sentir a chuva

esquecer o frio as intempéries

sonhar flauta  beijar flor

saltar das nuvens

me dissipar

.

comemorar a estranheza

de viver sobre a Vida

e repensar por que caí

onde ainda não pude

entender porque

impressão

quero te ler aleatoriamente

abrir-te em verso ritmado

imaginar caminhos percorridos

ridos

contidos

conjecturas  colocações

silêncios em páginas ímpares

peito  impresso  em tinta preta

veias prensadas em baixo relevo

.

te procuro no não dito

nas obviedades em tom amarelado

na dedicatória atrás da orelha

na cabeceira

ao alcance do tato

às vésperas do toque

conexão

somos um em par

arte expressão estética

poema que se escreve sem pressa

esperando o tempo certo da pausa  da rima

.

teia trançada pacientemente

tom sobre tom aquarela

pássaros que cantam a noite

seres que voam embaixo da terra

.

sutil descoberta  um doce presente

cartas de amor escritas a mão

caixas  e  conteúdos invisíveis

aquilo que se esconde entre as vírgulas entre os pontos dos is

.

flores que brotam sobre dores

sorrisos tímidos entre lágrimas

braços que param o tempo

poesia que não se lê

in_coerente

queria entender as linhas

manipuladas pelos cordéis do tempo

unindo pessoas estórias

marionetes amarradas no ar

.

crianças balançando botas

sentadas em pontes precipícios

solitários prantos atrás da porta

telhados cúmplices esconderijos

.

seres sensíveis incompreendidos

crescendo em casas abandonadas

tentando encaixar categorias

padrões em moldes vazados

.

vidas correndo em hipérboles

redes tecidas além mar

intersecções poetizadas em letras

trilhas castanhas    sonhos em par

.

entre nós e décadas

futuro do presente  pretérito imperfeito

irresistíveis apelos comovem

estrelas invisíveis  num breve olhar

partida

by Howard Pyle, The Mermaid, 1910

queria  falar da falta que se antecipa em mim

teclando dedos de piano

frases em melodia

versos    rimas

.

do  pesar

que me afaga os cabelos

quando penso na tua partida

.

queria te dizer do meu coração bipolar

 parte que diz  vá        parte que diz fica

em meu colo sinto azul e calmaria

praia a tardinha  marolas  pôr de sol

telas abstratas imagéticas

ilustrando meus espaços vazios

.

o poeta em minha alma dança

tecendo tua poesia

.

queria dizer das histórias que povoas

ideia fixa de sorrisos a se abrir

em pensamentos desobedientes

.

das voltas na memória nos momentos

dos suspiros nus que andam pela casa

dos desejos água contida

chorada debaixo da árvore

.

 incertezas   auto flagelação

 ilusões    areia movediça

drama simplesmente

palavras bonitas pra uma alma

sem inspiração

escuro

image by black leather (tumblr)

e ainda existem aquelas noites    tormentas

lembranças perpendiculares  sob meia coberta

desilusões sonhos perdidos

e um mar de recordações que insiste em voltar

.

marcas cravadas a ferro em brasa

num peito inundado de porquês

enquanto algo incita calmaria

vozes de caverna dizendo que  passou

.

mas as horas ficam tão lentas de repente

e águas revoltas transbordam espaços contidos

desejos de solidão trazem de volta

a antiga vontade de partir

.

e a busca por coerência valores

por vezes desaba em meu colo

e abre os braços me convidando

para algo quente no meio da noite

.

dividida entre a dor e o ser

duras conclusões patética vida

incongruentes alegorias

tentativas de compreender

.

existe algo maior?

talvez asas, olhos, abraços quem sabe

um sossego prum coração cansado

um sopro de permanência…paz