amareluz

em meio ao transe

eis que surge um anjo

grande alado luminoso

portando flor amarela

aproximou-se movendo translúcidas asas

sem causar medo apenas surpresa

ofereceu-me  flores iluminadas

suspensa explosão de beleza

minhas mãos paralisadas atadas

diante do insólito olhar satisfeito

carne tesa veias aceleradas

atravessou-me presenteando-me o peito

deu-me paz deu-me luz

adentrou-me a mente

deu-me alento deu-me colo

volta anjo dai-me sempre

Anúncios

viajantes

ilustração de Agostino Arrivabene

algumas vidas demoram a passar

forasteiros num mundo

sem abraços

 

invisíveis chegam às pencas

com seus carmas destinos

perpétuos tormentos

 

cobranças sem sentido

promessas esquecidas

almas sem perdão

exausta

possibilidades de uma vida

escorrem  dispersam-se

no momento em que acendo a luz

 

o telefone o computador

os filhos a dormir

silêncio consternador

 

corto as unhas dos pés

espero a hora passar

abro gavetas quinas vazios

 

continuo a busca

por linhas retas traço metas

para a manhã seguinte