amareluz

em meio ao transe

eis que surge um anjo

grande alado luminoso

portando flor amarela

aproximou-se movendo translúcidas asas

sem causar medo apenas surpresa

ofereceu-me  flores iluminadas

suspensa explosão de beleza

minhas mãos paralisadas atadas

diante do insólito olhar satisfeito

carne tesa veias aceleradas

atravessou-me presenteando-me o peito

deu-me paz deu-me luz

adentrou-me a mente

deu-me alento deu-me colo

volta anjo dai-me sempre

exausta

possibilidades de uma vida

escorrem  dispersam-se

no momento em que acendo a luz

 

o telefone o computador

os filhos a dormir

silêncio consternador

 

corto as unhas dos pés

espero a hora passar

abro gavetas quinas vazios

 

continuo a busca

por linhas retas traço metas

para a manhã seguinte